Entrevista a Fernando Pessoa
Entrevistador: Boa noite, estamos aqui reunidos para fazer uma Biografia a um dos maiores poetas portugueses de sempre, Fernando Pessoa.
Fernando Pessoa: Boa noite, e desde já obrigado pelo interesse demonstrado em mim e nas minhas obras.
Entrevistador: Então Prossigamos, Fale-nos um pouco sobre si, onde nasceu, local etc.
Fernando Pessoa: Pois bem, nasci em Lisboa, às 15:20 horas, do dia de Sto. António do ano de 1888.
Meu pai, Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do “Diário de Notícias”; minha mãe, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, era natural da ilha Terceira, parte da minha infância e a adolescência e juventude foram passadas em Durban, na África do Sul e acabei por morrer em Lisboa a 30 de Novembro de 1935
Entrevistador: Quando foi que a escrita o começou a cativar e a chama-lo?
Fernando Pessoa: Logo após a morte de meu pai. Comecei a escrever com o pseudónimo Chevalier de Pas, e o meu primeiro poema tinha a seguinte epígrafe: À Minha Querida Mamã.
Como faço o curso primário e toda a formação académica em Durban, escrevo tanto em português como em inglês. Cheguei mesmo, entre 899 candidatos, a receber o Queen Victoria Memorial Prize na minha prova de “ensaio de estilo inglês”, aquando da minha candidatura à Universidade do Cabo da Boa Esperança.
Entrevistador: Quando é que regressou a Portugal?
Fernando Pessoa: Regressei a Portugal em 1905 tinha já 17 anos e a escolaridade feita.
Entrevistador: E iniciou logo a sua carreira profissional?
Fernando Pessoa: Não, em 1906 matriculei me no curso superior de Letras, mas nem cheguei a completar o Primeiro ano, Nesse mesmo tempo entrei em contacto com Vários escritores de renome da nossa língua, interessei-me pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre António Vieira.
Havia tanto para ler, tanto para descobrir e conhecer, Quantas horas aqui passei em discussões filosóficas, sociológicas, político-religiosas e literárias.
A minha vida profissional iniciou-se em 1908 e consistia na tradução de correspondência comercial. Era um trabalho que me deixava liberdade para a minha grande vocação de poeta e escritor.
Em 1912 iniciei a publicação de ensaios e críticas literárias na revista “Águia”, tendo colaborado também na “Orfeu”, no “Centauro”, no “Portugal Futurista” e noutras.
Entrevistador: Porque decidiu criar os seus heterónimos, e porque tantos?
Fernando Pessoa: Bons, talvez em mim existam diversas personalidades, com várias sensibilidades, e com várias realidades da Realidade.
O que é a para Álvaro de Campos? Será que é o mesmo para Ricardo Reis e Alberto Caeiro? Será que a sua noção de Realidade é a mesma daquele estranho transeunte? (passa um “gótico” do outro lado da rua). A sua Verdade é a minha Verdade?
Entrevistador: Agradecemos Imenso a sua disponibilidade, e o seu tempo dispensado para que pudesse-mos realizar esta entrevista, e em nome de todos os portugueses, quero deixar-lhe um profundo Obrigado pelas obras magníficas que escreveu e por uma vez mais ter levado a língua portuguesa ao topo.
Fernando Pessoa: Obrigado, Escrevi o que sentia e o que via, nada mais, qualquer um pode escrever, basta estarem atentos ao que se passa, e como o meu heterónimo dizia “Minha pátria é a língua portuguesa”
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