O poema “O Quinto Império” que
pode ser encontrado no livro “A Mensagem” de autoria de Fernando Pessoa, tem como
tema central D. Sebastião ou, como era conhecido pelo seu cognome, “O Desejado”
este foi o décimo sexto rei de Portugal, com apenas 19 anos este rei decide relançar
a conquista de território, ele ansiava por alcançar a mesma glória que os seus
antepassados tinham, começou a sua expedição militar por terra, no norte de
África, com 19 anos, D. Sebastião desaparece na batalha de Alcácer Quibir, Nordeste
de África, pondo assim em causa o destino de Portugal, pois D. Sebastião era
ainda novo e não tinha descendência, deixando assim o trono cair para as mãos de
D. Filipe de Espanha, com tal angústia começou uma lenda popular, que dizia que
D. sebastião iria regressar numa manha de nevoeiro com os seus exércitos para
retomar o trono.
O Quinto império é uma crença messiânica
e milenarista, concebida pelo Padre António Vieira no século XVII. Os quatro
primeiros impérios eram, segundo o Padre António Vieira, os Assírios, os
Persas, os Gregos e os Romanos. O quinto seria o Imperio Português. Fernando
Pessoa discordava, ele achava que os quatro impérios eram, o Imperio Grego, Imperio
romano, o cristianismo e a Europa.
Este poema está dividido em 3
partes, a Primeira parte engloba as 2 primeiras estrofes e nelas o poeta
lamenta e critica aqueles que se contentam em sobreviver “viva a vida porque a
vida dura”, aquelas que não têm objectivos “Nada na alma lhe diz” e vivem
felizes porque são inconscientes. A segunda parte é constituída pela terceira
estrofe, fala do passar do tempo e o que o homem ao longo desse tempo acabou
por ficar sem objectivos, acabando por se verificar que o verdadeiro homem é
descontente. E por último, a terceira parte é constituída pela 4ª e 5ª estrofe
que fala do aparecimento de um quinto império que seria a junção dos outros
quatro num só, que pertenceria a Portugal.
O poema é constituído por cinco
estrofes, que são quintilhas, de esquema rimático a/b/a/a/b, logo são rimas
cruzadas e interpoladas, de sete silabas métricas, logo são redondilha maior.
O poema inicia-se com um paradoxo,
pois os versos um, dois e seis destacam o absurdo dos que se satisfazem com uma
vida vulgar. Na terceira estrofe a repetição da palavra “era” destaca a
passagem do tempo. Pessoa tenta
transmitir uma sensação de que ser feliz não é só viver o dia-a-dia e
conformarmo-nos com o que temos, mas sim ter ambição de maneira a tentar ir
longe e ser verdadeiramente feliz, ou seja viver para o sonho, para algo que
ainda não alcançamos e também explica que o destino de todos é o mesmo e é inevitável,
que é a morte Mas Pessoa é contra essa ideia, pois ele defende que a vida não
deve de ser vivida só para sobreviver, mas sim para a viver e saborear ao
máximo. O poeta termina com uma interrogação retórica, o que torna o poema
ainda mais reflexivo.
O escritor imagina o Quinto
império, como um império de luz, um império de salvação, “Quem vem viver a
verdade?”. A meu ver Fernando Pessoa anseia por D. Sebastião enquanto símbolo da
grandiosidade cultural de um povo.
Pessoa tenta também remeter-nos
para uma reflexão profunda do sonho e do que ele advém, criticando aqueles que
apenas se limitam a viver uma vida vulgar.
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