quinta-feira, 12 de julho de 2012

Análise do poema V Império in "A Mensagem" de Fernando Pessoa


O poema “O Quinto Império” que pode ser encontrado no livro “A Mensagem” de autoria de Fernando Pessoa, tem como tema central D. Sebastião ou, como era conhecido pelo seu cognome, “O Desejado” este foi o décimo sexto rei de Portugal, com apenas 19 anos este rei decide relançar a conquista de território, ele ansiava por alcançar a mesma glória que os seus antepassados tinham, começou a sua expedição militar por terra, no norte de África, com 19 anos, D. Sebastião desaparece na batalha de Alcácer Quibir, Nordeste de África, pondo assim em causa o destino de Portugal, pois D. Sebastião era ainda novo e não tinha descendência, deixando assim o trono cair para as mãos de D. Filipe de Espanha, com tal angústia começou uma lenda popular, que dizia que D. sebastião iria regressar numa manha de nevoeiro com os seus exércitos para retomar o trono.
O Quinto império é uma crença messiânica e milenarista, concebida pelo Padre António Vieira no século XVII. Os quatro primeiros impérios eram, segundo o Padre António Vieira, os Assírios, os Persas, os Gregos e os Romanos. O quinto seria o Imperio Português. Fernando Pessoa discordava, ele achava que os quatro impérios eram, o Imperio Grego, Imperio romano, o cristianismo e a Europa.
Este poema está dividido em 3 partes, a Primeira parte engloba as 2 primeiras estrofes e nelas o poeta lamenta e critica aqueles que se contentam em sobreviver “viva a vida porque a vida dura”, aquelas que não têm objectivos “Nada na alma lhe diz” e vivem felizes porque são inconscientes. A segunda parte é constituída pela terceira estrofe, fala do passar do tempo e o que o homem ao longo desse tempo acabou por ficar sem objectivos, acabando por se verificar que o verdadeiro homem é descontente. E por último, a terceira parte é constituída pela 4ª e 5ª estrofe que fala do aparecimento de um quinto império que seria a junção dos outros quatro num só, que pertenceria a Portugal.
O poema é constituído por cinco estrofes, que são quintilhas, de esquema rimático a/b/a/a/b, logo são rimas cruzadas e interpoladas, de sete silabas métricas, logo são redondilha maior.
O poema inicia-se com um paradoxo, pois os versos um, dois e seis destacam o absurdo dos que se satisfazem com uma vida vulgar. Na terceira estrofe a repetição da palavra “era” destaca a passagem do tempo.  Pessoa tenta transmitir uma sensação de que ser feliz não é só viver o dia-a-dia e conformarmo-nos com o que temos, mas sim ter ambição de maneira a tentar ir longe e ser verdadeiramente feliz, ou seja viver para o sonho, para algo que ainda não alcançamos e também explica que o destino de todos é o mesmo e é inevitável, que é a morte Mas Pessoa é contra essa ideia, pois ele defende que a vida não deve de ser vivida só para sobreviver, mas sim para a viver e saborear ao máximo. O poeta termina com uma interrogação retórica, o que torna o poema ainda mais reflexivo.
O escritor imagina o Quinto império, como um império de luz, um império de salvação, “Quem vem viver a verdade?”. A meu ver Fernando Pessoa anseia por D. Sebastião enquanto símbolo da grandiosidade cultural de um povo.
Pessoa tenta também remeter-nos para uma reflexão profunda do sonho e do que ele advém, criticando aqueles que apenas se limitam a viver uma vida vulgar.

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