Embora
distanciados alguns séculos no tempo, os Lusíadas e a Mensagem apresentam
pontos comuns, dado que os Lusíadas foram compostos no início do processo de
dissolução do império (1580) e a Mensagem já foi publicada na fase terminal da
dissolução do império (1934). Podemos assim estabelecer um paralelismo entre as
duas obras.
Os
Lusíadas é uma obra do período renascentista marcada pelo povo português, um
herói no colectivo, daí esta obra ser uma epopeia. É um poema dividido em dez
cantos, constituídos por oitavas, de versos de dez sílabas cada um, rima
cruzada e emparelhada. Quanto à sua estrutura a obra dos Lusíadas, divide-se em
Preposição, Invocação, Dedicatória e Narração verificando ainda que contém
quatro planos: viagem, história, mitologia e poeta.
Por
sua vez a Mensagem é um poema Épico-Lírico dada a sua característica de
exaltação poética do povo português, com a utilização de símbolos da
mitificação do herói. O seu aspecto lírico remete para o sentimentalismo, para
uma atitude contemplativa dos heróis que buscam o indefinido, o além. A
Mensagem divide-se em três partes: Brasão, Mar Português e Encoberto e deixa
passar a corrente subjetiva do poeta que canta os heróis lendários ou
históricos (no Brasão), mas que também se inspira na ânsia do desconhecido para
cantar os feitos dos marinheiros e ainda o sofrimento que tiveram de enfrentar.
É, contudo, na última parte, o (Encoberto) que o mito do Sebastianismo
desenvolvido dando lugar a um tom profético em que Pessoa refere a necessidade
do surgimento de um Quinto Império, não um império territorial mas um império
cultural.
Tanto Camões como Fernando Pessoa criticam certos
aspectos da Nação. Camões pensa sobre o seu país e os “podres” que o destroem,
como a corrupção que faz os homens não olharem a meios para atingirem os seus
fins “Se cobiça de grandes senhorios/Vos faz ir conquistar terras alheias”.
Camões fala dos portugueses que não dão o devido valor à cultura.
Fernando Pessoa, um poeta moderno, fala sobre o estado
do seu país, criticando-o por causa da sua instabilidade, falando sobre a
necessidade de mudar. Apesar de tudo o poeta não desiste, “Tudo vale a pena
quando a alma não é pequena” dizendo mesmo que sonhando conseguiremos mudar o
país.
Ambos os poemas são narrativos, mas a Mensagem é mais
interpretativa, em que Portugal sente necessidade de cumprir uma missão e os
heróis são mitificados, tornando proporções grandiosas, como D. Sebastião, o
Infante D. Henrique ou o D. Nuno Álvares Pereira.
Em os Lusíadas os deuses baseiam-se em proezas, como característica
renascentista, enquanto na Mensagem os desuses são superados pelo destino.
Na sua globalidade os Lusíadas falam
de um Portugal com um passado glorioso enquanto a Mensagem fala de um Portugal
que ainda está para aparecer, logo no sentido de promessa, um Quinto Império.
“Os
Lusíadas” conquistaram o título de “evangelho nacional” e foram elevados à
categoria de símbolo nacional. A Mensagem”, logo no seu título, aponta para um
novo evangelho, num sentido místico, ideia de missão e de vocação universal. O
próprio título indicia uma revelação, uma iniciação. A “Mensagem” é algo mais,
muito mais, que uma mera viagem temporal e espacial pela mitologia,
pré-história e história de Portugal. É essencialmente uma viagem pelo mundo
labiríntico dos mistérios e dos enigmas e dos símbolos e dos signos secretos,
em demanda da verdade.”