quinta-feira, 12 de julho de 2012

Dissertação acerca das relações entre A Mensagem e Os Lusíadas


Embora distanciados alguns séculos no tempo, os Lusíadas e a Mensagem apresentam pontos comuns, dado que os Lusíadas foram compostos no início do processo de dissolução do império (1580) e a Mensagem já foi publicada na fase terminal da dissolução do império (1934). Podemos assim estabelecer um paralelismo entre as duas obras.
Os Lusíadas é uma obra do período renascentista marcada pelo povo português, um herói no colectivo, daí esta obra ser uma epopeia. É um poema dividido em dez cantos, constituídos por oitavas, de versos de dez sílabas cada um, rima cruzada e emparelhada. Quanto à sua estrutura a obra dos Lusíadas, divide-se em Preposição, Invocação, Dedicatória e Narração verificando ainda que contém quatro planos: viagem, história, mitologia e poeta.
Por sua vez a Mensagem é um poema Épico-Lírico dada a sua característica de exaltação poética do povo português, com a utilização de símbolos da mitificação do herói. O seu aspecto lírico remete para o sentimentalismo, para uma atitude contemplativa dos heróis que buscam o indefinido, o além. A Mensagem divide-se em três partes: Brasão, Mar Português e Encoberto e deixa passar a corrente subjetiva do poeta que canta os heróis lendários ou históricos (no Brasão), mas que também se inspira na ânsia do desconhecido para cantar os feitos dos marinheiros e ainda o sofrimento que tiveram de enfrentar. É, contudo, na última parte, o (Encoberto) que o mito do Sebastianismo desenvolvido dando lugar a um tom profético em que Pessoa refere a necessidade do surgimento de um Quinto Império, não um império territorial mas um império cultural.
Tanto Camões como Fernando Pessoa criticam certos aspectos da Nação. Camões pensa sobre o seu país e os “podres” que o destroem, como a corrupção que faz os homens não olharem a meios para atingirem os seus fins “Se cobiça de grandes senhorios/Vos faz ir conquistar terras alheias”. Camões fala dos portugueses que não dão o devido valor à cultura.
Fernando Pessoa, um poeta moderno, fala sobre o estado do seu país, criticando-o por causa da sua instabilidade, falando sobre a necessidade de mudar. Apesar de tudo o poeta não desiste, “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” dizendo mesmo que sonhando conseguiremos mudar o país.
Ambos os poemas são narrativos, mas a Mensagem é mais interpretativa, em que Portugal sente necessidade de cumprir uma missão e os heróis são mitificados, tornando proporções grandiosas, como D. Sebastião, o Infante D. Henrique ou o D. Nuno Álvares Pereira.
Em os Lusíadas os deuses baseiam-se em proezas, como característica renascentista, enquanto na Mensagem os desuses são superados pelo destino.
Na sua globalidade os Lusíadas falam de um Portugal com um passado glorioso enquanto a Mensagem fala de um Portugal que ainda está para aparecer, logo no sentido de promessa, um Quinto Império.
“Os Lusíadas” conquistaram o título de “evangelho nacional” e foram elevados à categoria de símbolo nacional. A Mensagem”, logo no seu título, aponta para um novo evangelho, num sentido místico, ideia de missão e de vocação universal. O próprio título indicia uma revelação, uma iniciação. A “Mensagem” é algo mais, muito mais, que uma mera viagem temporal e espacial pela mitologia, pré-história e história de Portugal. É essencialmente uma viagem pelo mundo labiríntico dos mistérios e dos enigmas e dos símbolos e dos signos secretos, em demanda da verdade.”

Análise do poema V Império in "A Mensagem" de Fernando Pessoa


O poema “O Quinto Império” que pode ser encontrado no livro “A Mensagem” de autoria de Fernando Pessoa, tem como tema central D. Sebastião ou, como era conhecido pelo seu cognome, “O Desejado” este foi o décimo sexto rei de Portugal, com apenas 19 anos este rei decide relançar a conquista de território, ele ansiava por alcançar a mesma glória que os seus antepassados tinham, começou a sua expedição militar por terra, no norte de África, com 19 anos, D. Sebastião desaparece na batalha de Alcácer Quibir, Nordeste de África, pondo assim em causa o destino de Portugal, pois D. Sebastião era ainda novo e não tinha descendência, deixando assim o trono cair para as mãos de D. Filipe de Espanha, com tal angústia começou uma lenda popular, que dizia que D. sebastião iria regressar numa manha de nevoeiro com os seus exércitos para retomar o trono.
O Quinto império é uma crença messiânica e milenarista, concebida pelo Padre António Vieira no século XVII. Os quatro primeiros impérios eram, segundo o Padre António Vieira, os Assírios, os Persas, os Gregos e os Romanos. O quinto seria o Imperio Português. Fernando Pessoa discordava, ele achava que os quatro impérios eram, o Imperio Grego, Imperio romano, o cristianismo e a Europa.
Este poema está dividido em 3 partes, a Primeira parte engloba as 2 primeiras estrofes e nelas o poeta lamenta e critica aqueles que se contentam em sobreviver “viva a vida porque a vida dura”, aquelas que não têm objectivos “Nada na alma lhe diz” e vivem felizes porque são inconscientes. A segunda parte é constituída pela terceira estrofe, fala do passar do tempo e o que o homem ao longo desse tempo acabou por ficar sem objectivos, acabando por se verificar que o verdadeiro homem é descontente. E por último, a terceira parte é constituída pela 4ª e 5ª estrofe que fala do aparecimento de um quinto império que seria a junção dos outros quatro num só, que pertenceria a Portugal.
O poema é constituído por cinco estrofes, que são quintilhas, de esquema rimático a/b/a/a/b, logo são rimas cruzadas e interpoladas, de sete silabas métricas, logo são redondilha maior.
O poema inicia-se com um paradoxo, pois os versos um, dois e seis destacam o absurdo dos que se satisfazem com uma vida vulgar. Na terceira estrofe a repetição da palavra “era” destaca a passagem do tempo.  Pessoa tenta transmitir uma sensação de que ser feliz não é só viver o dia-a-dia e conformarmo-nos com o que temos, mas sim ter ambição de maneira a tentar ir longe e ser verdadeiramente feliz, ou seja viver para o sonho, para algo que ainda não alcançamos e também explica que o destino de todos é o mesmo e é inevitável, que é a morte Mas Pessoa é contra essa ideia, pois ele defende que a vida não deve de ser vivida só para sobreviver, mas sim para a viver e saborear ao máximo. O poeta termina com uma interrogação retórica, o que torna o poema ainda mais reflexivo.
O escritor imagina o Quinto império, como um império de luz, um império de salvação, “Quem vem viver a verdade?”. A meu ver Fernando Pessoa anseia por D. Sebastião enquanto símbolo da grandiosidade cultural de um povo.
Pessoa tenta também remeter-nos para uma reflexão profunda do sonho e do que ele advém, criticando aqueles que apenas se limitam a viver uma vida vulgar.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Entrevista a Fernando Pessoa


Entrevista a Fernando Pessoa


Entrevistador: Boa noite, estamos aqui reunidos para fazer uma Biografia a um dos maiores poetas portugueses de sempre, Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa: Boa noite, e desde já obrigado pelo interesse demonstrado em mim e nas minhas obras.

Entrevistador: Então Prossigamos, Fale-nos um pouco sobre si, onde nasceu, local etc.

Fernando Pessoa:  Pois bem, nasci em Lisboa, às 15:20 horas, do dia de Sto. António do ano de 1888.
 Meu pai, Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do “Diário de Notícias”; minha mãe, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, era natural da ilha Terceira, parte da minha infância e a adolescência e juventude foram passadas em Durban, na África do Sul e acabei por morrer em Lisboa a 30 de Novembro de 1935

Entrevistador: Quando foi que a escrita o começou a cativar e a chama-lo?

Fernando Pessoa: Logo após a morte de meu pai. Comecei a escrever com o pseudónimo Chevalier de Pas, e o meu primeiro poema tinha a seguinte epígrafe: À Minha Querida Mamã.
Como faço o curso primário e toda a formação académica em Durban, escrevo tanto em português como em inglês. Cheguei mesmo, entre 899 candidatos, a receber o Queen Victoria Memorial Prize na minha prova de “ensaio de estilo inglês”, aquando da minha candidatura à Universidade do Cabo da Boa Esperança.

Entrevistador: Quando é que regressou a Portugal?

Fernando Pessoa: Regressei a Portugal em 1905 tinha já 17 anos e a escolaridade feita.

Entrevistador: E iniciou logo a sua carreira profissional?

Fernando Pessoa: Não, em 1906 matriculei me no curso superior de Letras, mas nem cheguei a completar o Primeiro ano, Nesse mesmo tempo entrei em contacto com Vários escritores de renome da nossa língua, interessei-me pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre António Vieira.
  Havia tanto para ler, tanto para descobrir e conhecer, Quantas horas aqui passei em discussões filosóficas, sociológicas, político-religiosas e literárias.
 A minha vida profissional iniciou-se em 1908 e consistia na tradução de correspondência comercial. Era um trabalho que me deixava liberdade para a minha grande vocação de poeta e escritor.
Em 1912 iniciei a publicação de ensaios e críticas literárias na revista “Águia”, tendo colaborado também na “Orfeu”, no “Centauro”, no “Portugal Futurista” e noutras.

Entrevistador: Porque decidiu criar os seus heterónimos, e porque tantos?

Fernando Pessoa: Bons, talvez em mim existam diversas personalidades, com várias sensibilidades, e com várias realidades da Realidade.
O que é a para Álvaro de Campos? Será que é o mesmo para Ricardo Reis e Alberto Caeiro? Será que a sua noção de Realidade é a mesma daquele estranho transeunte? (passa um “gótico” do outro lado da rua). A sua Verdade é a minha Verdade?

Entrevistador: Agradecemos Imenso a sua disponibilidade, e o seu tempo dispensado para que pudesse-mos realizar esta entrevista, e em nome de todos os portugueses, quero deixar-lhe um profundo Obrigado pelas obras magníficas que escreveu e por uma vez mais ter levado a língua portuguesa ao topo.

Fernando Pessoa: Obrigado, Escrevi o que sentia e o que via, nada mais, qualquer um pode escrever, basta estarem atentos ao que se passa, e como o meu heterónimo dizia “Minha pátria é a língua portuguesa”

Análise ao texto “Aniversário”

Análise ao texto “Aniversário”

O poema é da autoria de Álvaro de Campos que é um dos heterónimos de Fernando Pessoa, é um poema longo o que era já natural na escrita de Álvaro de Campos.
Ao lermos este texto somos transportados para outra época, a época da infância do próprio poeta.
Com este texto o autor tenta mostrar-nos e dá-nos a sensação de como eram comemorados antigamente os aniversários pelas famílias, esta sensação pode ser dada por várias expressões do poeta, como por exemplo “No tempo em que festejavam o dia dos meus anos” (linha 1).
Antigamente era uma grande Festa que reunia a família toda, e era uma imensidão de gente, desde crianças a idosos, era uma festa, era uma tradição como diz o autor “Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, / E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer” (linhas 3 e 4).
Hoje em dia tal não acontece, devido a muitos deles já terem partido e ao facto de as famílias já não serem nem tão grandes nem tão ligadas entre si, o caso do autor “É terem morrido todos” (linha 23)
Antigamente, não existia tanto luxo, pois existia algo bastante mais importante do que o luxo, o mais importante era a família, que coexistia em harmonia.
 Agora que a idade aumenta, que a vida passa, chega o momento onde nos lembra-mos da nossa infância, dos maravilhosos momentos passados em que nos lembramos das pessoas que já partiram e das lembranças que nos deixaram.
A rima deste poema é do tipo branco ou solta, algo que era uma das obrigatoriedades para que o poema fosse considerado Modernista, o autor usa a partir da 15ª linha  (…) para dar ênfase á melancolia pelo seu estado de calma e de sabedoria adquirida pela a idade, dá ênfase também a sua angustia pela sua solidão e a morte dos seus familiares, por outro lado a saudade do seu tempo de infância.
O poema é todo ele construído a volta do passado e do presente da vida do autor, o passado é retratado como um tempo de felicidade absoluta, o Presente é retratado como um momento de sofrimento, angústia e saudade.
O poeta está de tal maneira em sofrimento que dá a entender que já nem vive, apenas se limita a existir como nos é transmitido em “Hoje já não faço anos. / Duro / Somam-se os dias.” (linhas 39 a 41).

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Vampiros

Os Vampiros
Este tema apareceu pela primeira vez num LP intitulado "Dr. José Afonso em Baladas de Coimbra", de 1963. Uma das canções mais emblemáticas de Zeca Afonso.
"No céu cinzento / Sob o astro mudo / Batendo as asas / Pela noite calada / Vêm em bandos / Com pés de veludo / Chupar o sangue / Fresco da manada
Se alguém se engana / Com seu ar sisudo / E lhes franqueia / As portas à chegada / Eles comem tudo / Eles comem tudo / Eles comem tudo / E não deixam nada
São os mordomos / Do universo todo / Senhores à força / Mandadores sem lei / Enchem as tulhas / Bebem vinho novo / Dançam a ronda / No pinhal do rei
Eles comem tudo / Eles comem tudo / Eles comem tudo / E não deixam nada"
Excerto da música Os Vampiros - formato Windows Media
in José Afonso: textos e canções, Assírio e Alvim, 1983

 O texto está a crticar o regime salazarista.
A maneira de como abusam do puder e se apoderam de tudo  sem serem responsabilizados por nada.
De como a policia (PIDE) aparece do nada e se apodera de tudo, faz acusações, prende pessoas, leva as coisas das pessoas por seu belo prazer, sem provas, sem que as pessoas tenham algum julgamento.

25 de Abril

Video:

http://www.youtube.com/watch?v=ti8AsJZdbDU

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Bem Vindo

Olá

Bem vindo.
Aqui serão postados diversos textos, filmes, musicas com diferentes temas, mas que abranjam a actualidade.

"Keep your mind open"