quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Entrevista a Fernando Pessoa


Entrevista a Fernando Pessoa


Entrevistador: Boa noite, estamos aqui reunidos para fazer uma Biografia a um dos maiores poetas portugueses de sempre, Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa: Boa noite, e desde já obrigado pelo interesse demonstrado em mim e nas minhas obras.

Entrevistador: Então Prossigamos, Fale-nos um pouco sobre si, onde nasceu, local etc.

Fernando Pessoa:  Pois bem, nasci em Lisboa, às 15:20 horas, do dia de Sto. António do ano de 1888.
 Meu pai, Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do “Diário de Notícias”; minha mãe, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, era natural da ilha Terceira, parte da minha infância e a adolescência e juventude foram passadas em Durban, na África do Sul e acabei por morrer em Lisboa a 30 de Novembro de 1935

Entrevistador: Quando foi que a escrita o começou a cativar e a chama-lo?

Fernando Pessoa: Logo após a morte de meu pai. Comecei a escrever com o pseudónimo Chevalier de Pas, e o meu primeiro poema tinha a seguinte epígrafe: À Minha Querida Mamã.
Como faço o curso primário e toda a formação académica em Durban, escrevo tanto em português como em inglês. Cheguei mesmo, entre 899 candidatos, a receber o Queen Victoria Memorial Prize na minha prova de “ensaio de estilo inglês”, aquando da minha candidatura à Universidade do Cabo da Boa Esperança.

Entrevistador: Quando é que regressou a Portugal?

Fernando Pessoa: Regressei a Portugal em 1905 tinha já 17 anos e a escolaridade feita.

Entrevistador: E iniciou logo a sua carreira profissional?

Fernando Pessoa: Não, em 1906 matriculei me no curso superior de Letras, mas nem cheguei a completar o Primeiro ano, Nesse mesmo tempo entrei em contacto com Vários escritores de renome da nossa língua, interessei-me pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre António Vieira.
  Havia tanto para ler, tanto para descobrir e conhecer, Quantas horas aqui passei em discussões filosóficas, sociológicas, político-religiosas e literárias.
 A minha vida profissional iniciou-se em 1908 e consistia na tradução de correspondência comercial. Era um trabalho que me deixava liberdade para a minha grande vocação de poeta e escritor.
Em 1912 iniciei a publicação de ensaios e críticas literárias na revista “Águia”, tendo colaborado também na “Orfeu”, no “Centauro”, no “Portugal Futurista” e noutras.

Entrevistador: Porque decidiu criar os seus heterónimos, e porque tantos?

Fernando Pessoa: Bons, talvez em mim existam diversas personalidades, com várias sensibilidades, e com várias realidades da Realidade.
O que é a para Álvaro de Campos? Será que é o mesmo para Ricardo Reis e Alberto Caeiro? Será que a sua noção de Realidade é a mesma daquele estranho transeunte? (passa um “gótico” do outro lado da rua). A sua Verdade é a minha Verdade?

Entrevistador: Agradecemos Imenso a sua disponibilidade, e o seu tempo dispensado para que pudesse-mos realizar esta entrevista, e em nome de todos os portugueses, quero deixar-lhe um profundo Obrigado pelas obras magníficas que escreveu e por uma vez mais ter levado a língua portuguesa ao topo.

Fernando Pessoa: Obrigado, Escrevi o que sentia e o que via, nada mais, qualquer um pode escrever, basta estarem atentos ao que se passa, e como o meu heterónimo dizia “Minha pátria é a língua portuguesa”

Análise ao texto “Aniversário”

Análise ao texto “Aniversário”

O poema é da autoria de Álvaro de Campos que é um dos heterónimos de Fernando Pessoa, é um poema longo o que era já natural na escrita de Álvaro de Campos.
Ao lermos este texto somos transportados para outra época, a época da infância do próprio poeta.
Com este texto o autor tenta mostrar-nos e dá-nos a sensação de como eram comemorados antigamente os aniversários pelas famílias, esta sensação pode ser dada por várias expressões do poeta, como por exemplo “No tempo em que festejavam o dia dos meus anos” (linha 1).
Antigamente era uma grande Festa que reunia a família toda, e era uma imensidão de gente, desde crianças a idosos, era uma festa, era uma tradição como diz o autor “Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, / E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer” (linhas 3 e 4).
Hoje em dia tal não acontece, devido a muitos deles já terem partido e ao facto de as famílias já não serem nem tão grandes nem tão ligadas entre si, o caso do autor “É terem morrido todos” (linha 23)
Antigamente, não existia tanto luxo, pois existia algo bastante mais importante do que o luxo, o mais importante era a família, que coexistia em harmonia.
 Agora que a idade aumenta, que a vida passa, chega o momento onde nos lembra-mos da nossa infância, dos maravilhosos momentos passados em que nos lembramos das pessoas que já partiram e das lembranças que nos deixaram.
A rima deste poema é do tipo branco ou solta, algo que era uma das obrigatoriedades para que o poema fosse considerado Modernista, o autor usa a partir da 15ª linha  (…) para dar ênfase á melancolia pelo seu estado de calma e de sabedoria adquirida pela a idade, dá ênfase também a sua angustia pela sua solidão e a morte dos seus familiares, por outro lado a saudade do seu tempo de infância.
O poema é todo ele construído a volta do passado e do presente da vida do autor, o passado é retratado como um tempo de felicidade absoluta, o Presente é retratado como um momento de sofrimento, angústia e saudade.
O poeta está de tal maneira em sofrimento que dá a entender que já nem vive, apenas se limita a existir como nos é transmitido em “Hoje já não faço anos. / Duro / Somam-se os dias.” (linhas 39 a 41).